A população do Sudão enfrenta uma drástica redução no acesso a serviços básicos de saúde após o encerramento das atividades de dezenas de unidades médicas em todo o país. O alerta foi emitido pela organização internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF), que aponta os cortes promovidos por governos e doadores institucionais no orçamento da ajuda humanitária como principal causa do colapso.
Com a interrupção de repasses financeiros e o fechamento de entidades parceiras, a pressão sobre os poucos hospitais que permanecem em funcionamento cresceu vertiginosamente. Em Zalingei e Rokero, no Darfur Central, as internações nas estruturas apoiadas por MSF subiram 22,5% entre janeiro e abril de 2026. Apenas em maio deste ano, 45 centros de atenção básica daquela região deixaram de funcionar após a entidade mantenedora perder o financiamento.
A retração nos recursos intensificou-se após o encerramento das atividades da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), anunciado em 2025, cujos impactos interromperam convênios e repasses no meio deste ano. Paralelamente, cortes em orçamentos da União Europeia e de governos europeus agravaram a escassez de remédios e suprimentos vitais.
Viagens perigosas e desnutrição
A paralisia das clínicas força pacientes a realizarem deslocamentos longos e dispendiosos para obter socorro médico. No acampamento de deslocados de Hamidiya, o encerramento do apoio internacional fez o volume diário de atendimentos despencar de 200 para apenas 40, paralisando campanhas de vacinação e cuidados materno-infantis.
“Fechar uma clínica não elimina um único paciente. Apenas o encaminha para a unidade mais próxima”, adverte Sebastián Traficante, coordenador de emergências de MSF em Darfur, destacando que muitos doentes chegam aos hospitais em estado gravíssimo devido à demora e ao custo do transporte.
Segundo estimativas da ONU, cerca de 37% das unidades de saúde sudanesas estão completamente fora de serviço. Além do colapso sanitário, o país enfrenta níveis críticos de fome, com previsão de que mais de 825 mil crianças menores de cinco anos sofram de desnutrição aguda grave. A organização pede que os países reunidos na Assembleia Geral da ONU restabeleçam fundos flexíveis para evitar uma catástrofe de proporções ainda maiores.
POR ASSESSORIA DE IMPRENSA
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