Brasil avança em diálogo com os EUA contra crime, mas barra etanol em mesa sobre tarifas

Ministro Márcio Elias Rosa afirma que o país não aceitará ampliar o debate para facilitar entrada de biocombustível americano

As complexas negociações comerciais entre o governo do Brasil e a administração dos Estados Unidos ganharam novos capítulos nesta semana. Em meio aos esforços diplomáticos para evitar que Washington aplique um severo pacote de sobretaxas contra as exportações brasileiras, o governo federal identificou uma abertura importante dos americanos para ampliar a cooperação no combate ao crime transnacional.

A informação foi detalhada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, após o encerramento de mais uma rodada de reuniões técnicas com representantes do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Apesar do avanço institucional na segurança, o Brasil adotou uma postura firme na economia: a pauta de negociações ficará estritamente restrita à questão tarifária, e o etanol está completamente fora de qualquer barganha.

Diretriz de Governo: “A principal orientação do presidente Lula é que não sairemos da mesa e também não deixaremos que outros temas sejam discutidos”, garantiu o ministro, sinalizando que o Brasil não cederá a pressões para abrir o mercado interno ao biocombustível dos EUA.

Entenda a polêmica da “Seção 301”

A atual corrida diplomática corre em paralelo aos prazos finais de uma investigação aberta por Washington com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

Esse mecanismo legal permite que o governo americano investigue de forma unilateral se as políticas de outros países em áreas como comércio digital, propriedade intelectual e compras governamentais são “desleais” ou prejudiciais às empresas americanas. Caso o relatório final conclua que sim, os EUA ganham o direito de impor pesadas barreiras alfandegárias contra os produtos do país investigado.

O impasse do Etanol e do Açúcar

O governo brasileiro argumenta que tratar a tarifa do etanol de forma isolada destrói o equilíbrio da indústria nacional, já que as cadeias de produção de álcool e açúcar são integradas. O ministro lembrou que os Estados Unidos aplicam atualmente uma sobretaxa que beira os 100% contra o açúcar produzido no Brasil, criando uma barreira comercial injusta.

Com o prazo para o fim da consulta pública da Seção 301 se esgotando nesta semana, a equipe econômica brasileira concentrará esforços em reuniões de alto escalão com o representante comercial americano, Jamieson Greer, buscando um consenso técnico que proteja as indústrias nacionais de tecnologia e manufatura sem abrir mão da soberania agrícola.

Fonte: Agência Brasil

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