Alerta Ambiental: Peixe-boi-marinho volta a ser classificado sob risco crítico de extinção

Portaria do Ministério do Meio Ambiente reconhece agravamento da situação do mamífero que tem presença marcante no estuário do rio Vaza-Barris

Ameaças como poluição costeira e captura em redes de pesca mantêm o mamífero sob pressão constante. (Foto: Acervo / Fundação Mamíferos Aquáticos)

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A atualização mais recente da Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção trouxe um alerta preocupante para a conservação da biodiversidade costeira brasileira. O peixe-boi-marinho foi formalmente recolocado na categoria Criticamente em Perigo, que representa o nível mais elevado de ameaça antes da completa extinção na natureza. A decisão técnica foi oficializada pela Portaria número 1.704/2026, publicada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e reflete diretamente na formulação de políticas públicas voltadas à proteção do litoral de Sergipe e de toda a costa do Nordeste.

A mudança de classificação repara um rebaixamento ocorrido em 2014, quando o animal havia passado para o status Em Perigo, o que, na época, reduziu o nível de urgência governamental para a sua proteção. Segundo a Fundação Mamíferos Aquáticos, o retorno ao estágio crítico não indica um colapso populacional repentino, mas sim o reconhecimento das pesquisas científicas atuais, que utilizaram a rigorosa metodologia da União Internacional para a Conservação da Natureza. O estudo decisivo que fundamentou a nova portaria foi liderado pela pesquisadora Ana Carolina Meirelles, atestando as dificuldades persistentes para a recuperação natural da espécie.

Ameaças no Litoral e a Presença do Mamífero em Sergipe

A costa sergipana desempenha um papel de extrema relevância na luta pela preservação desse dócil mamífero aquático. A região do estuário do rio Vaza-Barris, localizada na Zona de Expansão de Aracaju, é um dos habitats monitorados onde vive o peixe-boi conhecido como Astro. Após o declínio histórico causado pela caça intensiva e pela ocupação desenfreada dos ecossistemas costeiros, que chegou a extinguir o animal de grande parte do litoral brasileiro, a permanência de indivíduos livres na faixa que liga Aracaju ao município baiano de Mangue Seco é considerada um trunfo inestimável da biologia marinha local.

Apesar dos esforços contínuos de monitoramento, o cenário nacional exige cautela redobrada de banhistas, pescadores e navegantes. Estima-se que restem apenas cerca de mil e cem peixes-bois-marinhos em toda a extensão do litoral nordestino, um número considerado fragilizado diante da imensidão do habitat. A perda de áreas estuarinas essenciais, a poluição crônica das águas, a captura acidental em pescas predatórias e os choques contra motores de embarcações são as principais ameaças urbanas e industriais que impedem a proliferação saudável dessa espécie emblemática dos nossos mares.

Com informações da Ascom/FMA

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