Nos últimos dias, a procuradora da República Gisele Bleggi tornou-se um dos nomes mais comentados nas redes sociais. O motivo foi um vídeo de uma visita institucional ao município de Propriá, em Sergipe, onde sua aparência — marcada por tatuagens e vestimentas informais — gerou milhões de visualizações e uma onda de comentários, incluindo ataques misóginos e preconceituosos.
Apesar da repercussão pela estética, a trajetória de Bleggi no Ministério Público Federal (MPF) é marcada por uma atuação técnica rigorosa. No MPF desde 2010, ela é Mestra em Direitos Humanos e especialista em causas de grande impacto social, como licenciamento ambiental e defesa de povos indígenas.
Carreira marcada pela coragem
Esta não é a primeira vez que a procuradora enfrenta situações de exposição. Em 2022, enquanto atuava em Rondônia, Gisele chegou a receber ameaças de morte durante a mediação de conflitos para a liberação de rodovias bloqueadas. Atualmente, ela preside a Comissão de Assédio Sexual e Moral e o comitê pró-equidade de raça e gênero na PR-RO.
A visita a Sergipe, que motivou o vídeo viral, teve como objetivo tratar do Seminário Regional de Licenciamento Ambiental, uma parceria entre o MPF e a prefeitura local para organizar o desenvolvimento urbano e ambiental da região.
Instituições repudiam ataques
A OAB-SE e a ANPR emitiram notas oficiais em defesa da servidora. As entidades destacaram que os ataques são carregados de “violência simbólica” e reforçaram que a competência de uma autoridade não deve ser medida por sua aparência física ou estilo pessoal.
“Situações como esta demonstram que o enfrentamento à misoginia permanece um desafio permanente da sociedade brasileira”, afirmou a OAB em nota.
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