Você também sente essa frustração? Pagar por um serviço de streaming e ser interrompido por anúncios virou rotina não é só a Netflix: Globoplay, Amazon Prime Video (Prime Video), HBO Max e o próprio YouTube têm ampliado formatos publicitários que invadem a experiência do usuário. Em muitos mercados, quase metade das assinaturas já migrou para planos com anúncios, enquanto uma parcela significativa de consumidores diz ter cancelado serviços por causa disso.
O problema não é só comércio: é domesticidade. Como pai (e como pessoa que paga por isso), vejo uma consequência direta sobre as crianças. Mesmo com controles parentais, meninos e meninas são expostos a mensagens comerciais repetitivas que incentivam consumo, moldam desejos e normalizam hábitos o que, segundo estudos sobre exposição a telas e publicidade, está associado a efeitos sobre sono, alimentação e saúde mental. Não são só irritações — são impactos reais na rotina familiar e no desenvolvimento.
Consumidor reagindo: cancelar, migrar, “subir de plano”
As plataformas apostam que um plano mais barato com anúncios atrai público. Em parte funciona mas tem custo: pesquisas mostram que muitos assinantes preferem cancelar serviços quando anúncios são introduzidos ou aumentados; outras frações optam por migrar para planos mais caros para evitar publicidade. Ou seja: ou você paga mais, ou aceita ser publicamente alvo de uma experiência mercadológica dentro da sua casa.
E a legislação? O que já funciona lá fora
Alguns blocos e países avançaram em regras que protegem, especialmente, crianças e usuários vulneráveis. Na União Europeia existem normas do setor audiovisual que impõem limites sobre conteúdo e publicidade a menores e regras que vêm sendo atualizadas para o ambiente digital. No Reino Unido, o Ofcom e a nova Online Safety Act estabeleceram obrigações para proteger crianças em plataformas digitais incluindo deveres de avaliação de riscos e medidas técnicas. Essas iniciativas mostram que é possível regular com foco em proteção à infância e transparência para o consumidor.
Por que isso importa aqui (e o que podemos cobrar)
No Brasil, a discussão sobre limites e regras para publicidade em plataformas ainda é insuficiente diante da velocidade das mudanças das big techs. Sem normas claras sobre quando e como anunciar para crianças, sobre transparência de coleta de dados e sobre o direito do assinante a uma experiência livre de anúncios quando paga por isso, a responsabilidade fica solta e quem paga a conta são famílias. É preciso: (1) regras que limitem publicidade dirigida a menores; (2) transparência sobre quais dados são usados para veicular anúncios; (3) opção clara e estável de assinaturas sem publicidade, sem “surpresas” no plano pago.
Convite ao leitor
E você? Já cancelou ou pensou em cancelar uma assinatura por causa de propaganda? Como isso impacta sua casa e as crianças? Comente, conte um caso concreto. Quanto mais relatos chegarem aos legisladores e às plataformas, mais forte fica o argumento por medidas que devolvam ao consumidor o direito básico: pagar por um serviço e, de fato, recebê-lo sem ser forçado a ver publicidade indesejada.

