Há um ano, o marketing era claro: “furar a bolha”, “combater o sistemão”. A “leoa de Judá” rugia contra as máquinas políticas. O slogan era uma faca: “Na política, quem é ético tem amigos.” O duo com Ricardo Marques vendia a imagem da resistência ética.
Passado 365 dias, o resultado aparece: 3ª mais aprovada do Nordeste, 8ª do Brasil. Um feito? Sem dúvida. Mas a pergunta persiste: aprovação do quê?
Porque a linha do tempo real é um tratado sobre metamorfose política. Do PSB ao DEM (o partido do centrão), uma passagem pelo PSDB, aterrissagem no PL de Bolsonaro e Costa Neto – a casa mãe do “sistemão” nacional. As alianças? Com as velhas oligarquias estaduais. A gestão? Marcada por nomeações de familiares, a licitação anulada do transporte, os ônibus elétricos com preço de ouro (questionados pelo TCE) e o carro blindado em um estado considerado seguro.
E o discurso da “ética sem amigos”? Deu lugar aos mimos agradecidos publicamente, à fé performática (às vezes desafinada) como instrumento de identidade, e à transformação em prefeita-influencer, onde a gestão vira conteúdo para o feed.
O que houve? Acontece o clássico. Como se diz: “Quer conhecer alguém? Dê poder a ela.” O poder não a corrompeu; ele a revelou. Ela não combateu o sistema. Ela entrou para ele, subiu na hierarquia e, no ápice da ironia, tornou-se uma de suas estrelas mais bem avaliadas.
A “leoa” não precisou caçar. O sistemão a recrutou, deu-lhe um palco, um ranking e aplausos. A bolha não foi furada. Ela, simplesmente, se tornou a atração principal dentro dela.
A nova história de Aracaju, afinal, é a mais velha do mundo: a da ruptura que vira establishment, do discurso que vira ferramenta, do rugido que vira playback.
É desse jeito.
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