Colisão com embarcação motorizada ameaça futuro do peixe-boi-marinho em Sergipe

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O peixe-boi-marinho “Astro”, primeiro exemplar reintroduzido no Brasil e considerado Patrimônio Natural de Sergipe, sofreu mais um grave atropelamento provocado por embarcação motorizada e encontra-se em estado crítico. O caso ocorreu na manhã do último domingo, na Praia do Saco, no litoral sul do estado, na região do estuário do rio Real-Piauí.

De acordo com o Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho (PVPBM), colaboradores da região encontraram o transmissor de monitoramento do animal com o cinto cortado. O equipamento foi entregue à equipe técnica, que iniciou imediatamente as buscas até localizar o peixe-boi.

Ao ser encontrado, “Astro” apresentava múltiplos cortes profundos nas regiões lateral e dorsal do corpo, provocados por hélices de embarcação. Alguns ferimentos ultrapassam 4 centímetros de profundidade, causando dor intensa e exigindo acompanhamento veterinário imediato.

Diante da gravidade do quadro, médicos veterinários e profissionais especializados estão realizando o tratamento no próprio ambiente natural do animal, com monitoramento contínuo da evolução clínica. A situação é considerada crítica.

Reintroduzido pelo Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho, desenvolvido pela Fundação Mamíferos Aquáticos, com patrocínio da Petrobras e do Governo Federal, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, “Astro” é símbolo da conservação da espécie no Brasil, atualmente ameaçada de extinção.

Segundo o coordenador do projeto, professor doutor João Carlos Gomes Borges, este foi o pior acidente já registrado envolvendo o animal.

“Trata-se de um ferimento extenso provocado pelas hélices, com áreas profundas, processo inflamatório e risco de infecção. O animal apresenta dor e bastante desconforto. A navegação intensa e em áreas rasas aumenta significativamente o risco de novos atropelamentos”, afirmou.

O coordenador alerta ainda que o cenário representa perigo não apenas para o peixe-boi-marinho, mas também para outras espécies aquáticas, como tartarugas e golfinhos, além de banhistas que frequentam a região.

Com este novo episódio, o número de atropelamentos sofridos por “Astro” ultrapassa 30 ocorrências ao longo de sua vida, tornando-o o caso mais crítico entre os peixes-bois reintroduzidos no país.

A Fundação Mamíferos Aquáticos reforça a necessidade urgente de ordenamento náutico na Praia do Saco e em áreas sensíveis do litoral sergipano, a fim de garantir a segurança das espécies ameaçadas e da população.

Por Ícaro Figueiredo – Assessor de Comunicação Institucional da Fundação Mamíferos Aquáticos.

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