A Farsa da Black Friday: Quem é o Dono Real do Seu 13º?

De
Pesquisador Paulo Marcelo
Jornalista, Intelectual Público, Pesquisador, Comunicador, Fotógrafo, Professor, Palestrante, Designer e Busólogo.

Você já parou para pensar se a Black Friday é realmente o que dizem? Aquela sensação de estar diante de uma grande liquidação, mas ao comparar preços, percebe que muito é apenas ilusão. Eu mesmo já vi produtos com etiquetas de “super promoção” custando o mesmo de sempre no meu supermercado de todo mês.

Fiquei curioso e decidi investigar. Durante quinze dias acompanhei três produtos que queria comprar. O resultado? Dois deles já estavam com “preços de Black” antes mesmo da data oficial. O outro havia subido de valor na semana anterior, para então voltar ao preço normal, como se fosse um grande desconto.

A verdade é que a Black Friday moderna não foi feita para você economizar. Ela foi criada para capturar seu décimo terceiro salário antes que você decida o que fazer com ele. Como bem disse o especialista em finanças Thiago Godoy, “o dono do seu décimo terceiro não é você. E a Black Friday vai te provar isso”.

A Psicologia Por Trás da Compra Impulsiva

Nosso cérebro funciona de formas curiosas durante promoções. A Black Friday ativa gatilhos mentais poderosos que nos levam a comprar quase sem pensar:

A sensação de escassez, com aqueles avisos de “últimas unidades” ou “só hoje”.
A urgência criada pelos cronômetros regressivos e prazos curtos.
A justificativa emocional de “eu mereço” este presente.
A busca por recompensa imediata, que gera uma satisfação momentânea após a compra.

É um ambiente perfeito para o consumo por impulso. O problema não é querer algo, mas comprar no automático, movido pela emoção do momento. Seu décimo terceiro, que poderia quitar dívidas ou formar uma reserva, acaba alimentando um ciclo de consumo que trará arrependimentos no ano seguinte.

De Onde Veio Essa Tal Sexta Feira Negra?

A história do termo “Black Friday” é bem diferente do que nos contam hoje. A primeira vez que apareceu foi em 1869, durante uma crise do ouro nos Estados Unidos. Bem longe de ser algo positivo.

Na década de 1960, a polícia da Filadélfia usou o termo para descrever o caos que se formava na cidade depois do Dia de Ação de Graças, com congestionamentos enormes e multidões por toda parte.

Somente nos anos 1980 que o comércio reinventou o conceito, criando a narrativa de que era o dia em que as lojas saíam do “vermelho” (prejuízo) e entravam no “azul” (lucros). Uma jogada de marketing genial que transformou uma referência negativa em uma das maiores datas de vendas do mundo.

Como Não Cair na Armadilha

A solução não é boicotar a Black Friday, mas participar com inteligência. A estratégia mais simples e eficaz é criar sua própria lista de desejos antes de ver qualquer promoção.

Anote tudo que você realmente precisa comprar.
Pesquise os preços reais desses produtos com antecedência.
Siga uma regra simples: se não estava na sua lista antes da Black Friday, não compre.

Essa atitude separa o que é necessidade real do que é apenas vontade passageira. Te protege de ser influenciado por anúncios criados para explorar seus impulsos.

Para Finalizar

A verdadeira economia não está no desconto enganoso, mas no controle sobre suas decisões financeiras. Em 2025, a maior vitória será usar seu décimo terceiro com consciência, seja para investir, pagar contas ou realizar sonhos genuínos.

No final, a pergunta que importa é: seu dinheiro está trabalhando para você ou para o comércio?

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Jornalista, Intelectual Público, Pesquisador, Comunicador, Fotógrafo, Professor, Palestrante, Designer e Busólogo.